Quanto tempo demora o registro de marca no INPI?
Você decidiu proteger o nome do seu negócio, fez o pedido no INPI (ou está prestes a fazer) e agora vem a pergunta inevitável: quanto tempo isso vai levar? A resposta honesta é que o registro de marca não sai da noite para o dia. Em cenários sem grandes obstáculos, o processo costuma levar em torno de 12 a 18 meses do pedido até a concessão — e pode ser mais, se surgirem oposições ou exigências pelo caminho. Entender as fases ajuda a esperar com tranquilidade e, principalmente, a não perder nenhum prazo.
As fases do processo no INPI
O caminho de um pedido de registro de marca, previsto na Lei 9.279/96 (Lei da Propriedade Industrial), segue uma sequência bem definida:
1. Depósito. É o protocolo do pedido no sistema do INPI, com o pagamento da taxa inicial. A partir daqui, você já tem uma data de prioridade: quem depositou antes, em regra, tem preferência.
2. Exame formal e publicação. O INPI confere se o pedido está completo e o publica na RPI (Revista da Propriedade Industrial), que sai semanalmente.
3. Prazo de oposição. Após a publicação, terceiros têm 60 dias para se opor ao seu pedido — por exemplo, o dono de uma marca parecida. Se houver oposição, você é notificado e pode apresentar sua manifestação.
4. Exame de mérito. Um examinador do INPI analisa se a marca cumpre os requisitos legais e se não conflita com registros anteriores. É a etapa mais demorada e a que mais varia no tempo.
5. Deferimento e concessão. Se o pedido for deferido, você paga as taxas finais dentro do prazo (60 dias, prorrogáveis por mais 30 com taxa adicional) e recebe o certificado. O registro vale por 10 anos, prorrogáveis indefinidamente.
Importante: nenhuma consultoria pode prometer aprovação ou acelerar o exame do INPI. O que uma boa assessoria faz é preparar bem o pedido para reduzir o risco de exigências e indeferimento — e acompanhar cada publicação para nada passar despercebido.
O que você já pode fazer enquanto espera
Depositar o pedido já traz vantagens práticas:
- Expectativa de direito: a data do depósito garante sua posição na fila diante de pedidos posteriores.
- Uso comercial: você pode usar o nome normalmente no seu negócio enquanto o processo corre (desde que não esteja copiando marca alheia já registrada).
- Sinalização ao mercado: muitos empreendedores usam a expressão "marca depositada" em materiais, o que já desestimula imitações. O símbolo ® só pode ser usado após a concessão do registro.
- Vigilância: acompanhar a RPI toda semana para reagir a despachos e identificar pedidos de terceiros parecidos com a sua marca.
A curiosidade técnica
No Brasil vale o sistema atributivo: em regra, o direito sobre a marca nasce com o registro, e não com o uso (art. 129 da Lei 9.279/96). Mas existe uma exceção pouco conhecida — o "usuário anterior de boa-fé": quem já usava marca idêntica ou semelhante no país há pelo menos 6 meses antes do depósito de outra pessoa pode ter direito de precedência ao registro. Ou seja, usar antes ajuda, mas só o registro garante a exclusividade.
Conclusão prática
O registro de marca é uma maratona com etapas previsíveis: depósito, publicação, oposição, exame e concessão. Conte com algo em torno de um ano a um ano e meio em cenários tranquilos, deposite o quanto antes para garantir sua data de prioridade e acompanhe a RPI semanalmente — os prazos do INPI não esperam por ninguém.
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